1. SEES 10.4.13

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  MAIORIAS E MINORIAS
3. ENTREVISTA  FABIOLA GIANOTTI  FALTA EXPLICAR 95% DO UNIVERSO
4. LYA LUFT  A FORMAO DE UM POVO
5. LEITOR
6. BLOGOSFERA
7. EINSTEIN SADE  DISTRBIOS DE FALA E LINGUAGEM EM ADULTOS

1. VEJA.COM
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

RONALDO, O DONO DA BOLA
Garoto-propaganda do governo, integrante do comit organizador, scio da agncia que cuida da imagem de Neymar e, agora, comentarista da emissora de TV oficial da Copa de 2014. Ronaldo  o homem forte do Mundial e a figura mais influente do futebol brasileiro na atualidade. Reportagem do site de VEJA conta como o ex-craque adquiriu tanto poder  e mostra o risco de ele arranhar sua imagem em razo dos provveis conflitos de interesse provocados por esse acmulo de funes.

MQUINAS DE GUERRA
Hoje, os robs fazem parte das guerras e tm a capacidade de mudar a maneira como elas so travadas. No Oriente Mdio, os Estados Unidos usam mais de 20.000 unidades para espionar, fazer ataques a distncia e desarmar bombas. Especialistas, no entanto, j falam na segunda gerao de robs, mais avanada tecnologicamente e mais mortal. A maioria parece sada de filmes de fico: sondas que se sustentam no ar e equipamentos que arremessam pedras a dezenas de metros com fora descomunal. Reportagem no site de VEJA mostra a cincia envolvida na criao dos "drones"  e o que pensam fundadores de um comit internacional de especialistas para o controle dessa tecnologia.

HOLLYWOOD CONTRA A COREIA DO NORTE
Tema constante do noticirio das ltimas semanas, as ameaas feitas pela Coreia do Norte aos EUA tm risco nulo de se materializar no mundo real. Na fico, porm, os americanos no pensam em outra coisa. Se, durante anos, os viles de Hollywood foram os russos e os terroristas do Oriente Mdio, agora a vez  dos norte-coreanos. No filme Invaso  Casa Branca, um terrorista norte-coreano planeja explodir o pas com armas nucleares. Amanhecer Violento, G.I. Joe: Retaliao e o game Homefront tambm tm os norte-coreanos como inimigos. Reportagem do site de VEJA analisa o papel da Coreia do Norte como vil de cinema. 

OS LIMITES DO EMPREGO
O grande trunfo dos dez anos do PT na Presidncia da Repblica  a taxa de desemprego. Nunca ela foi to baixa nem houve dcada semelhante na criao de vagas: foram quase 20 milhes at o fim de 2012. Tal poltica de emprego, contudo, no basta para manter o pas no rumo da prosperidade. Ela traz riscos inflacionrios e reduz a produtividade de segmentos inteiros da economia brasileira. Reportagem em VEJA.com discute os limites da aposta do governo nesse modelo de crescimento.


2. CARTA AO LEITOR  MAIORIAS E MINORIAS
     Uma reportagem desta edio de VEJA fala das ondas de choque provocadas pela deciso da cantora baiana Daniela Mercury de, depois de dois casamentos convencionais, proclamar publicamente pelo Instagram sua paixo por uma mulher, Malu, a quem chama de esposa. Se havia alguma possibilidade de a questo do casamento homossexual no Brasil ficar restrita aos militantes e seus adversrios da bancada religiosa do Congresso, ela se evaporou na quarta-feira passada. O post de Daniela espalhou-se rapidamente pelas redes sociais, virou notcia no Jornal Nacional e na rede internacional CNN, onde a cantora j foi descrita como a "Madonna brasileira". Daniela colocou o assunto no horrio nobre da televiso brasileira e, mesmo subtraindo o senso de oportunismo de promoo pessoal, a tendncia agora  que a discusso se alastre. 
     O assunto  complexo e convida  discrdia. Pessoas sem nenhum sentimento de rejeio aos homossexuais so contra o reconhecimento legal da unio marital entre indivduos do mesmo sexo. Boa parte se irrita mesmo  com a agressividade de militantes dos movimentos gays e sua  fria implacvel dirigida a quem quer que ouse divergir minimamente deles. Mas  fato que muita gente intelectualmente honesta, despida de dogmas religiosos e indiferente ao tipo de atividade sexual que adultos pratiquem consensualmente entre quatro paredes, no v com naturalidade a unio homossexual ao amparo da lei. So pessoas que dificilmente dariam seu apoio a uma mudana no artigo 226 da Constituio Brasileira, no qual est estabelecido que, "para efeito da proteo do Estado,  reconhecida a unio estvel entre o homem e a mulher como entidade familiar". 
     A reportagem de VEJA contribui para o debate racional do tema. Ela lembra que o racismo, infelizmente, sobreviveu mesmo depois de o conceito de raa como critrio de diferenciao humana ter sido destroado pelos avanos genticos recentes. Por isso,  de esperar que a condenao da homossexualidade continue em certos crculos, a despeito da constatao de que ela  apenas uma adaptao da espcie, como lembra o grande bilogo evolutivo americano Edward Wilson em seu mais recente livro, A Conquista Social da Terra. Diz Wilson: "A homossexualidade pode ser vantajosa para os grupos humanos pelos indivduos de talentos especiais e qualidades incomuns de personalidade e pelas profisses especializadas que cria". 
     Para encarar esses assuntos com serenidade,  bom ter em mente que quem amplia as fronteiras sociais so as vanguardas comportamentais, invariavelmente formadas por minorias. Quem mantm a coeso da sociedade so as maiorias, conservadoras por definio. Por isso, as relaes entre os dois grupos de pessoas, mesmo quando no h conflito aberto ou intolerncia, so sempre tensas. Se a vanguarda minoritria no fora a barra, as relaes sociais ficam congeladas no tempo. Sem alguma resistncia da maioria, as mudanas de comportamento nunca se legitimam. Mantida no plano civilizado, portanto, essa tenso  no apenas natural, mas necessria e positiva.

O militante furioso que sapateia sobre a mesa no Congresso  exemplo de intolerncia que afasta a racionalidade da discusso sobre o casamento gay.


3. ENTREVISTA  FABIOLA GIANOTTI  FALTA EXPLICAR 95% DO UNIVERSO
Candidata bvia ao Prmio Nobel, a italiana que liderou a deteco do bson de Higgs diz que a descoberta fechou um captulo da fsica, mas criou enigmas ainda mais excitantes.
FILIPE VILICIC, DE GENEBRA

 frente das equipes de pesquisadores do LHC, o maior acelerador de partculas do mundo, a fsica italiana Fabiola Gianoni liderou a mais cara experincia da histria da cincia. Durou quatro anos, custou 10 bilhes de dlares e culminou com a deteco, no ano passado, de uma tnue partcula subatmica prevista pela teoria, mas que nunca antes dera sinais de sua existncia real. Fabiola e sua equipe encontraram provas inequvocas dessa partcula, a nica das pecas do quebra-cabea de 61 elementos que baseiam as teorias fundamentais da fsica que faltava ser observada em laboratrio. Sem essa descoberta fundamental, todo o edifcio terico que explica a natureza mais ntima do universo ruiria, jogando no lixo um sculo de penosas conquistas. Esse tijolo csmico to essencial  um bson de Higgs, batizado assim em homenagem ao fsico terico que previu sua existncia. Na entrevista que concedeu a VEJA em seu escritrio na Organizao Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern), sede do LHC, na fronteira da Sua com a Frana, Fabiola, de 51 anos, desde j candidatssima ao Nobel, diz que tudo o que foi descoberto elucida 5% da composio do universo e que novas investidas tericas e prticas sero necessrias para responder  mais simples e incmoda das perguntas: afinal, por que o universo existe? 

A partcula extica achada no LHC no ano passado foi anunciada como "um" bson de Higgs, mas talvez no "o" bson de Higgs. Por que razo o artigo indefinido foi to enfatizado? 
Muda tudo para a histria da cincia e para o modo como entendemos as regras da natureza. Se for "o" Higgs, garantimos que o elemento que descobrimos  exatamente o que era previsto nas teorias da fsica. Esse bson, que em suma criou o campo que d massa a tudo o que existe, era a pea que faltava para explicar o que conhecemos como Modelo Padro, a representao terica mais bem-acabada para as complexas interaes de energia e matria que deram origem ao universo. Mas, se for "um" bson de Higgs,  sinal de que a partcula encontrada ter um impacto ainda mais revolucionrio. O Modelo Padro  consistente e h dcadas tem guiado a produo cientfica. Sua comprovao prtica seria um feito extraordinrio, mesmo que ele explique apenas 5% do cosmo, a parte composta pela matria que conseguimos detectar por ter se organizado na forma de estrelas, planetas e seres vivos na Terra. Mas restam outros 95%, feitos principalmente de matria e energia escuras, sobre os quais pouco sabemos. Hoje, existe o consenso de que essa poro escura do universo esconde a explicao final sobre as leis fundamentais da natureza. Sua existncia depende de partculas ainda mais exticas do que o Higgs. 

Que teoria ampara essa constatao? 
Uma das melhores explicaes para a existncia desses 95%  uma teoria incrivelmente bem-acabada, a supersimetria. Ela prope que para cada partcula ordinria que se conhece do universo h uma rplica, quase idntica. A supersimetria trabalha com a hiptese da existncia de uma partcula, o neutralino, que pode explicar a criao de toda a matria escura. Pela supersimetria, haveria no um, mas cinco tipos de bson de Higgs. Se a partcula que achamos for mesmo um desses cinco, seremos impulsionados rumo  investigao de uma realidade muito mais ampla. 

Que novas perguntas tero de ser feitas para entendermos a matria escura e as partculas supersimtricas? 
O desafio  amplificar nossa viso sobre as regras escolhidas pela natureza para criar a realidade.  o que fazemos no LHC. Nosso trabalho foi interrompido para uma reforma que durar dois anos e vai melhorar ainda mais os quatro detectores gigantes de partculas que administramos. O resultado dessa obra  que dobraremos a energia que conseguimos produzir nas colises de partculas que fazemos nos ncleos do experimento. Tambm dobraremos o nmero e a frequncia dessas colises. Isso permitir encontrar elementos ainda mais exticos que o Higgs. So justamente essas as partculas elementares responsveis pela existncia da matria visvel e da matria e energia invisveis. Elas tiveram um papel nos instantes iniciais do Big Bang, a sbita expanso que deu origem ao nosso universo. Tenho convico de que essas partculas misteriosas vo ser encontradas por ns, e isso pode explicar os buracos negros, a formao de planetas, a acelerao da taxa de expanso do universo e outros grandes mistrios. Indo alm, so essas partculas que nos permitiro no apenas fazer as perguntas certas, mas dar as respostas s indagaes mais fundamentais da aventura intelectual humana. Elas so a chave para respondermos finalmente como surgiu o universo e, seu corolrio, de onde viemos. 

Por ter liderado equipes que somaram mais de 3000 fsicos e engenheiros empenhados na descoberta do Higgs, d-se como certo que a senhora vai ganhar o Prmio Nobel de Fsica. Analisando friamente, isso  inevitvel, no? 
Sinto-me honrada por ter me tornado a face desta que  uma das descobertas mais importantes dos ltimos 100 anos. Mas acho errado que uma s pessoa, ou duas, ou trs levem o Nobel por isso. No acharia certo que o prmio viesse apenas para a minha mo. Se o comit do Nobel achar apropriado consagrar nossa pesquisa, peo publicamente que os agraciados sejam os times de milhares de cientistas que formularam a teoria, como Peter Higgs, e que a testaram na prtica, como as equipes que guiei. O prmio deveria ir para o Cern e para a comunidade em torno dele. Para isso ocorrer, teriam de ser mudadas as atuais regras do Nobel. Mas est na hora das transformaes. Hoje, as experincias cientficas mais relevantes no so feitas apenas por um ou por alguns indivduos. Os responsveis so grupos imensos de intelectuais ultraqualificados, cada um com uma funo especfica e vital na conduo do experimento. Muitos atuaram remotamente, via internet, de diversas partes do mundo. A maneira de fazer cincia mudou muito, e a organizao do Nobel deveria refletir isso. 

Alinhar 3000 mentes brilhantes em torno de uma meta nica , em si, um feito indito, no? 
Foi um prazer enorme e nos enriqueceu como seres humanos. Mas, mais do que isso, a unio de um grupo de milhares de pessoas de 38 pases, com cultura, religio e vida completamente diversas, tem tido um impacto tremendo na sociedade. Nesse time esto representantes de povos cujos governos usualmente no se do bem. Estudantes palestinos e israelenses organizaram juntos uma festa simblica dentro do Cern para demonstrar o esprito de cooperao universal. O que temos provado  que podemos nos juntar quando existe um objetivo civilizatrio comum em benefcio de toda a humanidade. 

Por que so necessrias tantas pessoas, de tantas nacionalidades, em um experimento como o LHC? 
O LHC  o maior laboratrio j construdo. Desenvolvemos instrumentos de dezenas de metros de altura, soterrados em cavernas de 100 metros de profundidade. Construmos o que consideramos ser o maior microscpio j feito. Esse equipamento todo foi fabricado para observar relaes subatmicas impossveis de ser vistas de qualquer outra maneira. S que, para atingirmos tal nvel de avano cientfico e tecnolgico, precisamos de muito dinheiro e de muitas mentes. S conseguimos isso captando capital financeiro e humano pelo mundo. Reunimos o melhor do melhor de cada nao. 

O Cern nasceu como uma organizao europeia, mas hoje tem o apoio de pases como Estados Unidos, China e Brasil. O que mudou?
 Nos anos 50, quando o Cern foi criado, o nacionalismo imperava. Estvamos em plena Guerra Fria e na era ps-II Guerra Mundial e entendamos que nossas pesquisas deveriam ser feitas apenas por europeus. Assim como os russos faziam as deles e os americanos tinham as prprias ambies. Agora, o mundo se tornou globalizado pela primeira vez na histria. No faz mais sentido concentrar conhecimento, e por isso abrimos nossas portas. H, inclusive, negociaes prolongadas para que o Brasil se torne um membro mais eletivo. Todos tm benefcios incrveis com isso. A Europa ganha mo de obra e apoio tecnolgico. As naes que aderem  nossa empreitada qualificam profissionais e tm acesso s tecnologias que criamos. Em uma consequncia ampla, fortificamos laos diplomticos. 

Como essas revolues cientficas em curso afetam o cotidiano das pessoas? 
H trs aspectos a ser considerados. A descoberta do Higgs j transformou nossa vida de diversas maneiras. No falo de cientistas, mas de qualquer um no mundo. O Higgs  resultado de mais de 25 anos de pesquisas que exigiram o desenvolvimento de instrumentos de altssima tecnologia. Essas solues tecnolgicas, que  primeira vista no pareciam teis, transformaram nosso modo de vida. O exemplo mais famoso que temos  a internet. O protocolo "www", que ancora qualquer site da web, surgiu em 1989 da mente de Tim Berners-Lee, um dos cientistas do Cern. Inicialmente, a internet era apenas uma maneira de ns, cientistas, nos comunicarmos e transmitirmos dados entre computadores. Passadas duas dcadas, o "www" mudou a maneira como nos expressamos, trabalhamos, estudamos. Em resumo, a maneira como vivemos. 

Que outros efeitos positivos a senhora pode apontar? 
So inmeros. A tecnologia que criamos revolucionou a indstria de energia, a de novos materiais supercondutores que transmitem eletricidade com eficincia mpar, a da computao e a indstria mdica. H 30.000 aceleradores de partculas no mundo com tecnologia desenvolvida por nossos fsicos e engenheiros, e 17.000 desses equipamentos so usados para aplicaes mdicas. Eles esto na base das tcnicas mais eficientes para diagnstico e tratamento de quase todos os tipos de cncer. 

Nem sempre as pessoas conseguem relacionar os resultados prticos com as pesquisas bsicas.  assim mesmo? 
As pesquisas de fundamentos cientficos so o combustvel que acelera o progresso da humanidade. Quando uma das vrias perguntas que fazemos na cincia  respondida, tudo muda para a civilizao. O Higgs foi revelado no dia 4 de julho de 2012. Isso no quer dizer que no dia 5 a revoluo a que deu incio foi sentida por cada pessoa.  algo que demora dcadas, mas que, quando compreendemos o que ocorreu, entendemos quanto foi fundamental para ns. A melhor maneira de entender esse pilar da humanidade  olhar para o passado. Quando o fsico ingls Joseph John Thomson descobriu a existncia de eltrons, partculas fundamentais para explicar os tomos, ao observ-los em laboratrio, em 1897, nada mudou em seu mundo, em sua cidade ou em seu bairro no dia seguinte ao achado. Ele no tinha ideia de que isso seria depois a base para gerar energia pelo mundo, para a existncia de televisores, para mudar toda a maneira como vivemos. Em dez, vinte ou cinquenta anos, cientistas faro um raciocnio parecido tendo como comeo o bson de Higgs e como ele nos transformou. Por fim, a terceira forma como as descobertas mudam nossa vida exige uma abordagem filosfica. Conhecer e compreender as regras da natureza  dever e direito do homem como ser pensante. O crebro nos mostra instintiva e racionalmente que queremos mais conhecimento. Nesse enfoque, a cincia vira irm da arte. Para financiar artistas, vamos pensar sobre qual  a finalidade prtica de pinturas e msicas? De forma alguma. Apoiamos a arte e a cincia por serem as expresses mximas do ser humano. 

A senhora foi eleita pela revista americana Time uma das pessoas mais importantes do mundo e tem recebido milhares de e-mails de jovens que pedem orientao sobre como se tornar cientistas. Sobra tempo para responder a todos? 
Respondo a todos os e-mails. Sei como  vital para um jovem com vocao cientfica ter uma referncia, uma personalidade que lhe sirva de exemplo. Quando era jovem, eu me encantava com a vida e a carreira de gnios como Albert Einstein. Isso me motivou a seguir em frente. Fico honrada ao ver que muitos estudantes que entram em contato comigo tm nos fsicos do Cern uma inspirao para seguir nessa aventura de desvendar a realidade, que nos ajuda a evoluir como seres humanos. 


4. LYA LUFT  A FORMAO DE UM POVO
     A formao de um povo pode ser olhada sob vrios aspectos. Aqui eu falo da formao cultural, informao, crescimento, conscincia dos direitos e deveres de quem vive numa democracia verdadeira, que se interesse por um povo formado e informado. Aqui entra primariamente a educao, que venho comentando sem conseguir esgotar, assunto inexaurvel na vida privada de todo cidado e na existncia geral de um povo.  preciso ter em mente que, para os lderes, sejam quais forem, esse deve ser um interesse primordial em sua atividade. 
     A mim me preocupa a reduo do nvel de formao e informao que nos oferecem. Escrevi muito sobre as cotas, com que, em lugar de melhorar a educao pela base, subindo o nvel do precrio ensino elementar, se reduz o nvel do ensino superior, para que se adapte aos que l entram mais por cota do que por mrito e preparo, em lugar de ser, como deveria, o inverso. Com isso, nosso ensino superior, j to carente e ruim, com algumas gloriosas excees, piora ainda mais. Vejam-se os dados assustadores de reprovao, no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, de candidatos sados dos nossos cursos de direito. Os exames de igual carter para egressos de cursos de medicina ainda no apresentam resultado to incrivelmente ruim, mas comeam a nos deixar alertas: pois esses mdicos vo lidar com o nosso corpo, a nossa vida. Estudantes de letras frequentemente nem sabem ortografia, e mais: no conseguem se expressar por escrito, no tm pensamento claro e seguro, no foram habituados, desde cedo, a argumentar, a pensar, a analisar, a discernir, a ler e a escrever. 
     Agora, pelo que leio, parece que vo conseguir piorar ainda mais a situao, pois a meninada s precisa se alfabetizar no fim do 3 ano da escola elementar. Pergunto: o que estaro fazendo nos primeiros dois anos de escola? Brincando? Gazeteando? A escola vai fingir que est ensinando, preparando para a vida e a profisso? E os pais que se interessam, o que podem esperar de tal ensino? Aos 8 anos, meninos e meninas j deveriam estar escrevendo direito e lendo bastante  claro que em escolas pblicas de qualquer ponto do pas onde os governos tivessem colocado professores bem pagos, seguros e com boa autoestima; em escolas nas quais cada sala de aula tenha uma prateleira com livros doados pelos respectivos governos, municipal, estadual ou federal, interessados na formao do seu povo. 
     Qualquer coisa diferente disso  iluso pura. No resolve enviar centenas de jovens ao exterior ou trazer estudantes estrangeiros para c, se a base primeira do ensino  ruim como a nossa, pois no adianta um telhado de luxo sobre paredes rachadas em casas construdas sobre areia movedia. Como no adianta dar comida a quem precisaria logo a seguir de estudo e trabalho que proporcionasse crescimento real, projetos e horizontes em lugar da dependncia de meninos que no conseguem largar o peito materno mesmo passada a idade adequada. 
     O que vai acontecer? Com certeza vai se abrir e aprofundar mais o fosso entre alunos sados de escolas particulares que ainda consigam manter um nvel e objetivo de excelncia e a imensa maioria daqueles sados de escolas pblicas ou mesmo privadas em que o rebaixamento de nvel se instalar. Grandes e pequenas empresas e indstrias carecem de mo de obra especializada e boa, milhares de vagas oferecidas no so preenchidas porque no h mo de obra preparada: imaginem se a alfabetizao for concluda no fim do 3 ano elementar, quando os alunos tiverem j 8 anos, talvez mais, quando e como sero preparados? Com que idade estaro prontos para um mercado de trabalho cada vez mais exigente? Ou a exigncia tambm vai cair e teremos mais edifcios e outras obras mal construdos, servios deixando a desejar, nossa excelncia cada vez mais reduzida? 
     No sei se somos um povo cordial: receio que sejamos desinteressados, mal orientados e conformados, achando que  s isso que merecemos. Ou nem pensando no assunto. 


5. LEITOR
EMPREGADOS DOMSTICOS
VEJA prestou uma grande colaborao  sociedade ao publicar a reportagem "Nada ser como antes" (3 de abril). Esperamos, ns, empregadores domsticos, que na regulamentao de alguns direitos da categoria dos empregados domsticos o governo federal nos d um tratamento isonmico, j que hoje fomos literalmente equiparados a uma empresa, apesar de no obtermos lucros com o trabalho de nossos empregados. Para que serve a contribuio previdenciria patronal (12%) que o empregador domstico j recolhe ao INSS? Exatamente para, quando ocorrer qualquer sinistro com o seu empregado, a Previdncia Social o socorrer com a concesso de um auxlio-doena, um auxlio-doena por acidente de trabalho, uma aposentadoria por invalidez e, em casos extremos, uma penso por morte para seus familiares. O tratamento isonmico a ser dado ao empregador domstico  tambm uma questo de justia social.
PAULO MANUEL MOREIRA SOUTO
Cabedelo, PB

A relao com os empregados domsticos no Brasil sempre foi um rano da escravido. A PEC das Empregadas Domsticas  um grande avano no direito trabalhista e representa uma segunda abolio para essa classe de trabalhadores.
EDVALDO ARAJO
Salvador, BA

A lei vale para todos. O momento pede boa reflexo para uma relao trabalhista mais humana e justa.
JOVANI BORTOLOTTE XAVIER
Goinia, GO 

No se iludam, "secretrias'" do lar. As demisses vo acontecer, principalmente no Nordeste, onde muitas precisam morar no trabalho por no ter onde viver. Nem  toda lei melhora a vida da gente. No falo em proveito prprio, pois no tenho empregada em casa.
SILVANA NASCIMENTO MENDES
Joo Pessoa, PB

No se pensou que a nova lei provocar uma leva de desempregados, a qual o pas no est preparado para recolocar em outra atividade. J tive empregada domstica que no sabia ler nem escrever, mas que dava conta de todos os afazeres da casa e conseguia, com o seu salrio, sustentar seus filhos. Hoje, eu no tenho empregada mensalista e consigo me adaptar muito bem apenas com uma diarista duas vezes por semana. O que ser das empregadas domsticas que no esto preparadas para ocupar outro cargo que exija maior grau de escolaridade, caso sejam demitidas por causa da nova lei?
LAODICIA MONTEIRO ALMEIDA
So Paulo, SP

Sempre trabalhei como empregado e nunca vi uma ao judicial trabalhista ser ganha pelo "patro"', por mais correto que ele estivesse. Essa nova PEC ser um prato cheio para os "advogados de porta de cozinha" e para as empregadas que agem de m-f.
FBIO FUJII
So Paulo, SP

A lei melhora a vida das domsticas e das famlias tambm. Tudo se organiza. O que acontecer? Os familiares voltaro a se encontrar mais, as crianas certamente vero mais a me (tanto as das patroas como as das empregadas), todos na casa tero alguma funo, uns ajudaro aos outros em pequenos e grandes detalhes e, assim, talvez haja mais unio, amizade, camaradagem entre seus membros. No precisamos de uma ajudante o tempo todo. A cooperao e a participao de todos, com certeza, vo unir mais pais e filhos.
MARIA LCIA CAPANEMA CCERES
Belo Horizonte, MG

Gostaria de saber como o governo pretende resolver o problema da falta de creches para as mes que necessitam trabalhar e no tero mais condies financeiras de contratar uma empregada domstica.
MARGARETH PEREIRA ELIAS
Rio de Janeiro, RJ

CARTA AO LEITOR
A lei promulgada e louvada na Carta ao Leitor "Preparem os aventais'' (3 de abril) dificulta a contratao de uma empregada domstica, no a promove profissional nem humanamente, muito menos elimina a necessidade de auxlio das famlias de classe mdia em que marido e mulher trabalham e cujos filhos no estudam em horrio integral. Nos ''pases mais avanados", o horrio escolar  integral. E, frequentemente, quando um casal decide ter filhos, um dos cnjuges deixa de trabalhar, pois a renda maior o permite.
MRIO JORGE PASSOS
Rio de Janeiro, RJ

Na Carta ao Leitor, VEJA afirma que maridos e filhos ajudam na limpeza e arrumao da casa: "...enquanto na maioria dos lares a mulher, o marido e os filhos se revezam no aspirador de p, na cozinha e na pia". Sem querer desmerecer o autor do texto, discordo dessa afirmao, pois convivo com a realidade na Europa e l pesquisas revelam que no mais de 12% dos homens ajudam nas tarefas de casa. Como exemplo, quando perguntaram ao meu primo ingls o que ele usava para limpar um cho to bonito, ouvimos a infame resposta: "Minha mulher"  tpico humor britnico, que infelizmente corresponde  realidade. Fora o jardim e, eventualmente, algum trabalho de pintura, os homens ainda no se encarregam da comida, roupa, limpeza etc. Em um aspecto concordo: quando o autor diz "onde ter empregada  um luxo acessvel apenas aos muito ricos". A maioria dos europeus, mesmo recebendo salrios mais altos que os brasileiros, no est disposta a pagar o preo de uma boa empregada.
KAREN MARY CARNT, 17 ANOS
Por e-mail

CAPA DE VEJA
Ah, ah, ah! O que um homem est fazendo de avental, lavando pratos, na capa de VEJA (3 de abril)? Realmente, nada ser como antes.
DENISE MEIRELLES JEUKEN
Campinas, SP

Com a aprovao da PEC das Domsticas, alguns maridos que se preparem: ou ajudam nas tarefas domsticas ou sua esposa vai reivindicar direitos trabalhistas.
HELENA KESSEL
Curitiba, PR

Um conselho aos futuros "lavadores" de pratos prestes a pilotar a pia:  falta de higiene manter sobre o ombro o pano de secar loua.
ANTONIO PEREIRA SILVA
Praia Grande, SP

H muito tempo lavo a loua, limpo a casa e cozinho. Portanto, j sou "domstico".
RENATO MENDES PRESTES
guas Claras, DF

Sou engenheira de materiais, professora universitria e no vejo o menor problema em fazer servio domstico.  s uma questo de organizar a agenda. Quando tinha filho pequeno e no podia ficar sem empregada domstica, elas usavam e abusavam da minha casa. Cansei!
ELIANE AYRES
Itabirito, MG

CLUDIO DE MOURA CASTRO
No artigo "A exumao de um cadver" (3 de abril), o economista Cludio de Moura Castro demonstra, com lucidez, que o "conluio entre governo e corporativismo" est na contramo da histria ao buscar regular a oferta de cursos superiores, medida que implica desconhecer o mercado, ignorar a voz do territrio e interferir na autonomia das instituies de ensino. A melhora dos cursos segue noutra direo, qual seja a de uma avaliao qualificada por parte do MEC e pela possibilidade de ver florescer projetos inovadores de cursos que atendam aos legtimos interesses da sociedade e ao desenvolvimento do pas.
GABRIEL MRIO RODRIGUES
Presidente da Associao Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes)
Braslia, DF

 fato que hoje em dia se formam menos profissionais especializados e mais "profissionais genricos". O problema do Brasil no est na demanda, mas sim na oferta.
CRISTOFERSOM DAVID
Rio Timo, PB

Temos um dos maiores nmeros de mdicos por habitante do mundo. No nos faltam profissionais. Faltam boa formao e polticas para incentivar a interiorizao.
VINCIUS ANDRADE NUNES
Belo Horizonte, MG

No h falta nem excesso de mdicos; o que h  distribuio errnea, privilegiando aglomerados urbanos em detrimento de reas interioranas.
LUIZ FERNANDO HORMAIN
Rio Grande, RS

INFLUNCIA DE JOO SANTANA
Lendo a reportagem "O ministro da eleio" (3 de abril), veio  minha mente que ele  para Dilma o que Goebbels foi para Hitler  em ambos os casos, as massas foram enganadas.
VALTER TEIXEIRA
Amparo, SP

Se Joo Santana  o ilusionista, Dilma  a iluso.
ARCANGELO SFORCIN FILHO
So Paulo, SP

J.R. GUZZO
S mesmo com boa dose de humor e sarcasmo  possvel abordar uma situao como essa e tirar dela algumas lies. (Os importantes", 3 de abril). Luiz Incio conseguiu provar que, para ser picareta na poltica brasileira, o anel de doutor  absolutamente dispensvel.
JULIA ALVES
Maring, PR

MXICO
tima reportagem da jornalista Tatiana Gianini ("O Mxico pronto para decolar, 3 de abril). Ou cultivamos as eternas virtudes do livre mercado ou optamos pelo estatismo fantico  e afundamos no lamaal bolivariano, como a Venezuela e a Argentina. O exemplo mexicano, assim como o chileno, deve ser abraado. Quanto mais aberta a economia, maior a prosperidade da indstria  e do povo. O Chile, o pas mais liberal da Amrica Latina, j tem um IDH maior que o de vrias naes europeias. Para alcanarmos um futuro prspero, devemos abraar o livre mercado e abandonar o pernicioso intervencionismo da esquerda tupiniquim.
MATEUS LERQY
Belo Horizonte, MG

Viajo desde 1993 a trabalho para o Mxico pelo menos duas vezes por ano.  evidente que nos ltimos quatro anos houve uma mudana radical no comportamento dos mexicanos em reao ao terror e  insegurana opressiva do narcoterrorismo. No acredito que  sem que essa situao seja resolvida ou amenizada  o Mxico possa superar o Brasil como lder econmico na Amrica Latina.
MRCIO MENEZES MEIRELLES
Ribeiro Preto, SP

COREIA
Como diplomata recm-chegado ao Brasil, gostaria de parabenizar a revista VEJA pelo trabalho jornalstico que realiza, fornecendo informao de alto nvel e credibilidade  sociedade brasileira. Mundo afora, revistas e peridicos tm perdido o espao que antes ocupavam como meio de comunicao, e percebo com satisfao que esse no  o caso de VEJA, que exerce grande influncia no povo brasileiro. Aproveito a oportunidade para dizer que tenho acompanhado atentamente as notcias sobre o aumento das tenses na pennsula coreana e gostaria de tecer alguns comentrios a respeito do assunto. Chamou-me a ateno o texto de Diogo Schelp ("Toscas, porm perigosas". Imagem da Semana, 3 de abril), e concordo com sua anlise de que o governante da Coreia do Norte  jovem e, portanto, imprevisvel. Porm, conforme bem elucida o jornalista, as ameaas e as aes deflagradas por Kim Jong-un so um blefe de carter poltico, uma resposta s novas sanes aprovadas pelo Conselho de Segurana da ONU. Acrescento que analistas internacionais especialistas na pennsula coreana concordam que a retrica norte-coreana  mera bravata e que a probabilidade de que essas ameaas sejam postas em prtica  absolutamente remota. Como embaixador da Repblica da Coreia no Brasil, gostaria de assegurar que a vida dos sul-coreanos segue normalmente e de dizer aos brasileiros que tm inteno de visitar a Coreia do Sul a negcios ou a lazer que podero aproveitar tranquilamente o que nosso pas tem a oferecer. Agradeo o trabalho jornalstico realizado por VEJA.
KOO BON-WOO
Embaixador da Repblica da Coreia
Braslia, DF

APARTAMENTO DO MINISTRO BENEDITO GONALVES
Em relao  nota "Moradia de presidente" (Radar, 3 de abril), fao questo de esclarecer que a aquisio do referido apartamento est regularmente registrada em minha declarao de imposto de renda e na de minha esposa. Os recursos utilizados nessa compra foram provenientes de poupana que acumulamos em 25 anos de vida profissional e de financiamento da Caixa Econmica Federal (CEF), equivalente a 65% do valor do imvel, a ser pago em 22 anos.
BENEDITO GONALVES
Ministro do Superior Tribunal de Justia (STJ)
Braslia, DF

TJ DO RIO DE JANEIRO
A nota "Marcenaria carioca'" (Radar, 3 de abril) informa que o Tribunal de Justia do Rio de Janeiro tem cerca de 300 marceneiros em seu quadro de servidores. Paira a dvida: de leo de peroba, o TJ compra quanto?
MRCIO AFFONSO GOMES
Niteri, RJ

Com tantos caras de pau envolvidos na poltica, e muitos outros com ligaes de diferentes nveis, e outros que no esto diretamente ligados a ela, vrios dando com os costados no Tribunal de Justia do Rio de Janeiro, ser que no justifica?
MARCO ANTNIO COMINI CHRISTFARO
Patos de Minas, MG

ESTDIO DO ENGENHO
A real ameaa de desabamento do estdio do Engenho ("Basta uma ventania", 3 de abril), construdo na "'Cidade Maravilhosa"  guisa de servir aos Jogos Pan-Americanos de 2007, tende a corresponder ao concreto malbaratamento das instalaes perifricas quele mesmo evento, eis que: 1) o veldromo j foi demolido; 2) o Parque Aqutico Jlio Delamare, desativado, est tambm fadado  demolio; 3) as danificadas raias do Pan, na Lagoa, abrigam-se num continer. Pelo programa Minha Casa, Minha Vida, edificaram-se, com foguetrio e por intermdio da CEF, casebres para as vtimas das intempries de 2010 oriundas de Petrpolis e adjacncias, cujas construes, apadrinhadas pelo governo, apresentam hoje rachaduras de alto a baixo, a sinalizar consecutiva catstrofe. Por isso se diz que, a ter essa espcie de padrinho,  prefervel morrer pago.
MOACYR ROSADO
Vitria, ES

GESTO E SUCESSO
Lamentavelmente, nossos administradores pblicos no governam com a mesma eficincia do trio de empresrios bem-sucedidos em destaque na reportagem Sonhar pequeno no vale a pena" (3 de abril).
SILAS NUNES ALVES
So Loureno, MG

TNIS
Muito interessante a reportagem "Lio de biomecnica"' (3 de abril), do jornalista Alexandre Salvador. Fao aulas de tnis h alguns meses e gostei de saber que os avanos tecnolgicos esto ajudando a melhorar o esporte. A parte que mais me chamou ateno foi o quadro "O repertrio dos campees". Os movimentos foram muito bem explicados e ficou fcil entend-los. Tudo isso me ajudar a jogar melhor.
HELENA NOGUEIRA TENRIO FRANCESCONI
Por e-mail

CIRURGIA PLSTICA
Excelente o alerta feito na reportagem Cirurgia plstica: qual o limite?" (3 de abril). Muitos procedimentos deformantes, e s vezes at fatais, so oferecidos por pessoas que, visando apenas ao dinheiro, pem a sade fsica e mental dos pacientes em risco. Na maioria das vezes, essas pessoas no so cirurgies plsticos especialistas e membros da SBCP. Orientao especializada  fundamental para qualquer procedimento. Parabns pelo alerta. 
ROSIMARA BONFIM
Cirurgi plstica especialista e membro da SBCP
Governador Valadares, MG

HELGA WEISS
A entrevista "A dor no vai embora" (3 de abril), com a artista plstica checa Helga Weiss, de 83 anos, sobrevivente dos campos de concentrao de Terezn e Auschwitz,  louvvel pela iniciativa, profunda no contedo e na veracidade dos fatos e histrica pelos ensinamentos. Parabns, VEJA!
MAURO WAINSTOCK
Rio de Janeiro, RJ

A imagem de uma adolescente de 14 anos olhando-se atravs do reflexo da janela do seu quarto, desamparada, ao se ver como uma menina "cadavrica, feia, velha", no sai da minha cabea.
EDUARDO P. MARTINESCO, 17 ANOS
Curitiba, PR

 leitura indispensvel para que ns e as futuras geraes no nos esqueamos do que a intolerncia  capaz de fazer.
JLIO CSAR GARCIA PADILHA
Marlia, SP

Por ser casada com um judeu, filho de uma senhora de 95 anos que tambm esteve em campo de concentrao na Polnia aps perder toda a famlia para o regime nazista, inclusive uma filha de 3 anos, posso afirmar que, infelizmente, essas barbaridades esto mais perto de ns mesmos do que se imagina. Assim como a artista plstica checa Helga Weiss, minha sogra, Gina Freund, acabou de lanar um livro muito interessante contando sua trajetria de vida e como sobreviveu a tanto descaso pelo ser humano. Felizmente sua autoestima permitiu que ela refizesse sua vida e dividisse experincias e emoes conosco. Um Tango para Sobreviver  uma leitura para aqueles que desejam conhecer um pouco mais sobre os mistrios da vida.
LILIAN MASSENA GALLAGHER
So Paulo, SP

Diante de mim, uma senhora polonesa e, hoje, cidad de Copacabana, com vestido, unhas e batom vermelho, que ainda chora o assassinato da primeira filhinha pelos alemes, uma inocente de 3 anos. Nunca mais reclamo da vida.
MRCIA RGIS
Rio de Janeiro, RJ

VEJA E A ARGENTINA
Sou argentino, tenho 70 anos e estou aposentado como jornalista, depois de ter trabalhado como produtor de noticirios de televiso por 42 anos. Passando pelo Rio de Janeiro em viagem de turismo, tive a oportunidade de ler a edio de VEJA de 27 de marco, na qual encontrei artigos dedicados  Argentina. Todos maravilhosamente escritos, com um alto grau de investigao profunda e sria e uma anlise poltica que algumas vezes no se encontra nem mesmo nos meios jornalsticos argentinos. Como homem que ama a liberdade de expresso, agradeo profundamente  revista VEJA e felicito os jornalistas que fizeram esse
trabalho.
NORBERTO LANDERRECHE
Buenos Aires, Argentina

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


6. BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

RADAR
LAURO JARDIM
MALAFAIA
De Silas Malafaia sobre a mobilizao contra Marco Feliciano: "Quero agradecer a Jean Wyllys e ao movimento gay. Quanto mais tempo perderem com Feliciano, maior ser a bancada evanglica em 2014". www.veja.com/radar

COLUNA
RICARDO SETTI
SELEO
Onde anda o Felipo cheio de paixo e fria, que no para um minuto sossegado na rea tcnica? O Felipo lorde ingls no vai ganhar Copa alguma. J o outro Felipo, se voltar, tem boas chances. www.veja.com/ricardosetti

COLUNA
REINALDO AZEVEDO
COREIA DO NORTE
O mundo assiste perplexo s ameaas feitas pela Coreia do Norte aos EUA. Numa guerra, as foras norte-coreanas no dariam nem para o cheiro. Ocorre que o pas tem artefatos nucleares. www.veja.com/reinaldoazevedo

QUANTO DRAMA
PATRCIA VILLALBA
NOVELA
Em Salve Jorge, a verdadeira protagonista  a delegada Hel, interpretada por Giovanna Antonelli. Hel  me confusa, profissional competente, cone fashion, e, agora sabemos, sadomasoquista soft. www.veja.com/quantodrama

NOVA TEMPORADA
JACK BAUER INDIANO
A srie 24 Horas ganhou um remake na ndia. Nessa verso. Jack Bauer  Jai Singh Rathod, interpretado por Anil Kapoor, conhecido pelo filme Quem Quer Ser um Milionrio?. O ator tambm viveu o presidente Omar Hassan, na oitava e ltima temporada da serie original. Em entrevistas aos jornais da ndia, Kapoor explicou a origem do nome de seu personagem. Jai significa vitorioso, Singh  corao de leo e Rathods significa sangue guerreiro.
www.veja.com/temporada

SOBRE IMAGENS
PICASSO EM AO
No dia 8 de abril, completam-se quarenta anos da morte de Pablo Picasso. O blog Sobre Imagens homenageia um dos gnios das artes plsticas com uma edio de retratos feitos entre 1935 e 1957. A srie realizada pelo fotgrafo Gjon Mili na casa de Picasso em Vallauris, na costa francesa, est entre os destaques. Mili era fotgrafo freelancer da revista Life. Ele foi pioneiro no uso do flash eletrnico e da luz estroboscpica para capturar mltiplas imagens, como no exemplo abaixo.
www.veja.com/sobreimagens

PAULA PIMENTA
CYBERBULLYING
Julia  uma menina comum, como tantas outras de 11 anos. Que vai  escola, que tem pais que trabalham, que costuma interagir com as amigas neste mundo virtual onde atualmente passamos boa parte da nossa vida... E que tambm compartilhava suas fotos porque gostava do que via no espelho. S que, de repente, algum que no tinha a mesma opinio que ela achou que era engraado roubar uma dessas fotos e mostrar para todo mundo o defeito que ele via. E a partir da a menina ficou famosa, infelizmente por algo que eu imagino que lhe render um trauma: sua sobrancelha. (...) O meu recado para a Julia: daqui a uns anos, sei que voc vai dar boas risadas desse caso, mas agora desencane! Aproveite que voc est famosa e mande um beijo para esses bobos que a colocaram em evidncia! Ser que algum deles j esteve nos trending topics do Twitter?
www.veja.com/paulapimenta 

 Esta pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


7. EINSTEIN SADE  DISTRBIOS DE FALA E LINGUAGEM EM ADULTOS
Fonoaudilogo tem papel fundamental no tratamento desses problemas, que podem ser transitrios ou permanentes.

     Distrbios da fala e linguagem em adultos geralmente decorrem de leses provocadas por traumas, acidente vascular cerebral (AVC) ou doenas degenerativas como o Alzheimer. Eles impem aos pacientes barreiras de comunicao que afetam o relacionamento interpessoal e praticamente todas as dimenses da vida. H diferentes tipos de distrbios e eles podem ser transitrios ou permanentes. Em qualquer situao, o tratamento fonoaudiolgico entra como um importante aliado. 
     Entre os distrbios mais comuns est a afasia, caracterizada pela perda da capacidade de compreenso e/ou expresso da linguagem. O paciente afsico pode deixar de falar ou de entender o que  dito. s vezes compreende, mas  incapaz de se expressar. Em outros casos, formula frases telegrficas, ou perde o domnio de parte do vocabulrio ou passa a usar uma mesma palavra para designar coisas diferentes sem se dar conta de que est repetindo o vocbulo. A capacidade de leitura e escrita tambm pode ser afetada.  
     Enquanto a afasia est mais relacionada  linguagem, outros problemas, como a disartria e a apraxia, esto mais ligados  fala. A disartria  um distrbio motor que dificulta a articulao das palavras. Disfunes na articulao, respirao e ressonncia resultam em voz mais baixa, pastosa ou nasalada. J  a apraxia envolve uma incapacidade na programao dos movimentos musculares. O paciente at formula mentalmente a palavra, mas ocorre uma falha no processo para vocaliz-la. 
     O tratamento fonoaudiolgico exige uma abordagem individualizada, levando em conta as especificidades de cada paciente, caractersticas do distrbio e limitaes. Em geral, so exerccios que usam estmulos visuais e auditivos para trabalhar essas inabilidades. O objetivo  recuperar as habilidades lingusticas e desenvolver outras formas de comunicao a fim de resgatar funes e trabalhar a plasticidade neuronal, que  a capacidade do crebro de estabelecer novas conexes entre os neurnios.  
     Quando a compreenso est preservada e a fala muito comprometida, como nas disartrias graves, alguns recursos podem complementar a terapia. O arsenal vai desde a escrita a aparelhos eletrnicos que emitem vozes gravadas ou sintetizadas a partir do acionamento de teclas ou digitao de palavras e mouses oculares que permitem a comunicao por meio de um computador cujos comandos so acionados visualmente. Seja qual for a ferramenta ou terapia, o foco principal da fonoaudiologia  encontrar caminhos para garantir algo essencial ao ser humano: a capacidade de se comunicar.

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Responsvel Tcnico:
Dr. Miguel Cendoroglo Neto - CRM: 48949


